Quem falou que eu não consigo?

Algumas pessoas subestimam quem tem deficiência, achando que não somos capazes de fazer as mesmas coisas que elas.

Pessoas ao redor, colegas de trabalho, professores e familiares acreditam que por causa da deficiência não é possível realizar tarefas simples, o que dirá as mais complexas sem ao menos nos consultar, criando opiniões equivocadas que contribuem para o crescimento do pré-conceito.

Isso acontece diariamente com quem tem alguma deficiência, na maioria das vezes é difícil se defender, já que ninguém fala diretamente para a pessoa, simplesmente cria sua opinião e disfarça falando: “nossa vocês são um exemplo para nós” ou “nossa, não sei como você consegue andar sozinho”.

O pior é quando esse tipo de “conceito vem de um professor, em quem apoiamos nossos objetivos de aprendizagem e ele nos limita de aprender coisas novas, não nos desafia, nem nos consulta por causa da deficiência que parece ser um “oloforte” impedindo-o de ver a pessoa como um aluno, um aprendiz com capacidades iguais as de todos os outros.

Mesmo sem intenção a família ou o professor podem estar prejudicando a pessoa com deficiência, inpedindo-o de aprender e se desenvolver, por que tem medo de que eles se machuquem, errem, ou se frustrem.

Além de tudo, sou mulher!

Nós Mulheres com deficiência somos vistas como “coitadinhas” ou “ceguinha”, “surdinha”, “alejadinha”, etc. Nos atribuem esses adjetivos no diminutivo e esquecem-se que também somos mulheres.

Quando você anda bem arrumada, toda maquiada, bem vestida e toda combinando, as pessoas te olham com espanto, com um olhar de confusão. Tem pessoas que falam “ai que bom que sua mãe te arruma”, .

Esta semana vivi um exemplo bem claro desse preconceito enrustido, estava em uma loja de roupas com minha sogra, eu passando a mão nos vestidos e minha sogra vendo as roupas para ela , achei um macacão e gostei, coloquei em frente ao corpo para ver se ficava bom e a vendedora perguntou “nossa você enxerga?” eu falei que não, ela ficou surpresa e custou à acreditar. Então perguntei quais eram as cores, as estampas, tamanhos, escolhi aquelas que eu queria e fiquei imaginando o que se passa na cabeça de alguém depois de uma descoberta tão chocante.

Tenho minhas limitações, é claro, mas acima de tudo sou mulher e tenho meus próprios gostos, uso coisas que me fazem sentir bem. Como toda mulher, gosto de pedir opinião do marido, das amigas e por que não da mãe? Só que a minha opinião é a mais importante, a minha deficiência não me impede de andar bem arrumada!

O dom de ser professor!

Ser professor é enxergar além do presente, é fazer com que o futuro de uma criança seja brilhante!

Educar é uma tarefa de muita responsabilidade, mas muito prazerosa para quem ama ser professor.

Assim como a família, o educador tem papel de grande influência na vida de todas as pessoas, os seus princípios e conhecimentos também são reflexos dos ensinamentos, atitudes e da personalidade de seus educadores.

Ser professor é acreditar que tudo é possível, ensinar sem dar as soluções para que o aluno faça suas próprias descobertas, é vibrar com cada conquista, é se sentir recompensado com um sorriso de alguém a quem você ensinou, é amar acima de tudo o seu trabalho e ser possibilitador de diversas outras profissões!

Educar é um grande desafio, muitas vezes sem materiais ou recursos, mas sua criatividade vai além. O professor é aquele que enfrenta com coragem, que ensina independente das condições e dificuldades de cada pessoa.

A Arte de ensinar é admirável e deveria ser mais respeitada por todos, já que o maior cientista, o melhor médico, o mais conceituado engenheiro não existiriam sem um professor.

Vamos preparar as crianças para a vida?

Atualmente, os pais estão criando os filhos na base do mimo, muitas vezes, por não conseguirem tempo suficiente para ficar com eles, agradando-os demais quando estão por perto, dando-lhes tudo o que pedem, deixando passar as birras e os momentos de mal criação.

Quando se trata de crianças com deficiência esse mimo é muito maior, numa mistura de super proteção e excesso de carinho, resultando em crianças que fazem birra por tudo e se frustram quando não conseguem algo.

Os mesmos pais que fazem tudo para que seus filhos não errem, se machuquem, se frustrem ou se aborreçam, fazendo deles o centro das atenções, podem estar criando adultos mal educados, que não aceitam as diferenças e as opiniões das outras pessoas.

Pais de pessoas com deficiência, normalmente confundem limitações com dependência, adotando uma postura superprotetora, que pode até afetar a pessoa intelectualmente.

As crianças com deficiência devem respeitar limites e regras como todas as outras, assim como devem (sempre que possível), passar pelas mesmas experiências, tanto boas, quanto ruins, para que se tornem adultos capazes de viver em sociedade.

Seminário Sistema Braille: Mãos à Obra!

Ontem participei do Seminário Internacional do Braille, promovido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) em conjunto com a União Latino Americana de Cegos (ULAC).

Durante o evento, diversas palestras discutiram a importância do Braille na educação e na sociedade.

A importância do Braille para a educação foi bastante destacada, visto que atualmente novas tecnologias aparentemente tem tomado parte do seu espaço.

Na fase de alfabetização o sistema Braille é indispensável, com ele a criança tem acesso às letras, aprendendo a ortografia e compreendendo aquilo que está lendo.

Um fato que chamou bastante a atenção de forma negativa é que algumas pessoas foram desrespeitosas, tanto com o público, quanto com os palestrantes. Algumas pessoas não paravam de conversar, mexiam no celular sem fones de ouvido, atendiam ligações sem a menor discrição e alguns riam quando o palestrante era estrangeiro.

A maioria dos participantes era de educadores e parte deles tinha deficiência visual. Não dá para entender como pessoas lutam tanto por respeito sem respeitar as outras pessoas.