Um pouco de Camila

Nasci Com Aniridia (ausência congênita da íris), fazendo os médicos acreditarem equivocadamente que eu havia nascido cega, o que causou bastante desespero em meus pais.

Após buscar ajuda médica especializada, fui diagnosticada com baixa visão.

Assim como todas as mães de crianças com alguma deficiência, minha mãe também viveu um período de luto e negação, sentindo-se culpada pela minha deficiência, um sentimento que acabou durando alguns anos, enquanto meu pai procurava os mais diversos tipos de tratamentos em busca de uma cura, que nunca aconteceu.

Apesar disso, cresci enxergando pouco, o que para mim era normal. Aos 7 anos fiz minha primeira Cirurgia para remoção de Catarata. Mas a única coisa que me lembro é da tristeza por ter que faltar à escola e por ter dificuldades que os meus colegas não tinham.

Durante adolescência as coisas estabilizaram, eu até já estava acostumada com a baixa visão e as visitas freqüentes ao médico eram rotineiras. Aos 16 anos tive problemas com a retina o que ocasionou a perda da visão do olho direito, fiquei triste, mas logo me adaptei, já que eu enxergava melhor com o olho esquerdo.

Com 18 anos consegui meu primeiro emprego e aos 21 entrei na faculdade com o objetivo de realizar meu sonho de ser professora. Durante o segundo semestre da faculdade comecei a ter dificuldades cada vez maiores para ler, andar, trabalhar, etc. Foi quando precisei tomar uma decisão , ou eu operava com risco de perder a visão ou esperaria a visão piorar gradualmente. Eu tomei a atitude mais correta, assumindo a responsabilidade de operar para que futuramente não sofresse pelo que não foi feito.

Contudo, passei por várias cirurgias,mas em setembro de 2012 recebi a notícia que a visão não voltaria. Foi difícil, sofri por algum tempo.

Com apoio da família, resolvi buscar recursos, já que o médico desaconselhou que eu parasse a minha faculdade, já que a ociosidade neste momento poderia me levar a um quadro de depressão.

Foi procurando uma máquina Braille que encontrei o amor da minha vida, hoje meu marido, que me ajudou e ainda me ajuda em muitas coisas.

Passei por um breve processo de reabilitação na Fundação Dorina Nowill, aprendi Braille e a usar o computador com leitor de tela, terminei a faculdade e várias pós graduações e até hoje não parei de estudar.

Atualmente sou professora efetiva no município de Francisco Morato, , quando passei no concurso assumi uma sala regular, o que foi uma experiência muito rica na minha carreira, no ano seguinte assumi a sala de recurso multifuncional, atuando como professora de atendimento educacional especializado.

Não foi fácil chegar até aqui, já recebi recusas de trabalho, fui discriminada em concursos públicos e isso nunca me fez desistir.

Por Camila Domingues Ferreira

Camila Domingues Ferreira é pedagoga com pós-graduação em educação especial, Psicopedagogia Institucional, Ludo Pedagogia, Atendimento Educacional Especializado e educação especial com ênfase em deficiência visual. Atualmente é professora do programa de Atendimento Educacional Especializado da Prefeitura Municipal de Francisco Morato e atende alunos com Autismo, Deficiência Física, Intelectual, visual e crianças com múltipla deficiência. Camila também é palestrante sobre a temática da educação de pessoas com deficiência na escola regular e é Consultora independente sobre acessibilidade em tecnologias móveis para a educação, tendo participado como jurada nas últimas edições do prêmio nacional de acessibilidade na web promovido pelo CEWEB/W3C.br.

1 comentário


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    Jessica hirsch disse:

    Linda história de superação , mostra que quando temos sonhos não a obstáculos que nos faça desistir ! Parabéns admiro muito seu trabalho

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