Os quatro motivos para o Brasil ter portais de conteúdo tão ruins.

As vezes algumas pessoas me perguntam: Por que os sites de conteúdo como Terra, UOL, Yahoo, Globo, Estadão, R7 e Folha são tão ruins de navegar?

A resposta normalmente é muito simples e está baseada em quatro pontos.

O primeiro é que falta vontade. Em geral este tipo de empresa tem uma política “De Dentro para Fora”, ou seja, eles fazem para você usar e pronto.

Repare que você nunca foi consultado sobre os pontos em que você mais gosta nestes serviços e sua única defesa é não o usar, mas fazendo isso você fica sem acesso aos maiores veículos de comunicação, o que lhe faz um lucrativo refém de qualquer política de serviço ou design.

Em segundo lugar, os principais portais de conteúdo estão cada vez mais apinhados de propagandas e publicidade em geral, sem levar em conta que seus atuais usuários são vacinados contra banners e propagandas. Além disso, uma quantidade enorme de pessoas nem olham mais para aquilo, existem até aplicativos para ocultar ou removê-los.

Em terceiro lugar vem o modismo. Os projetistas e desenvolvedores veem uma tendência internacional e já trazem para o brasil. O curioso é que eles só copiam a parte ruim da tecnologia usada por lá.

Por fim: Falhas de projeto são grandes causas de problemas, principalmente os de acessibilidade para pessoas com deficiência.

Isto por que na tentativa de fazer algo igual a algo que está pronto lá fora ou de seguir o que o Designer mandou, o desenvolvedor constrói um Frankenstein de código HTML e faz o diabo com o código, o que causa uma série de problemas de usabilidade e acessibilidade.

A equipe de Design deveria discutir com a equipe de desenvolvimento sobre os problemas que determinado layout poderá causar para os usuários e em caso de portais de interesse coletivo, este layout deveria ser apreciado pelos usuários e suas opiniões deveriam ser consideradas.

Grandes e pequenas empresas de tecnologia lá de fora já têm programas que recolhem e analisam sugestões do usuário no desenvolvimento e melhoria do produto, não dá para entender por qual motivo eles não copiam isso por aqui também.

Enquanto isto não acontece, você poderia escrever aí nos comentários quais sites você odeia navegar (além do nosso), quem sabe os webmasters se ligam e melhoram eles, não acha?

Quem planta barreiras colhe prejuízos

A lei 8213/91 possibilitou que às pessoas com deficiência tenham acesso ao emprego, obrigando às empresas a contratar pessoas com deficiência e integrá-las ao mercado de trabalho formal.

Quando às pessoas com deficiência tiveram acesso ao emprego, antes mesmo de receber o primeiro salário, vieram os primeiros problemas. Os serviços não estavam preparados para recebê-los e as questões relacionadas com a deficiência ainda estavam sendo tratadas como uma questão de assistência social.

Esta postura não mudou muito durante estes 24 anos, grande parte das empresas não vê a pessoa que tem alguma limitação como um cliente ou funcionário com o mesmo potencial que qualquer outro, quando muito, ao atendê-lo, enxerga a possibilidade de se posicionar como uma empresa que se destaca por que investe em responsabilidade social, fazendo enorme propaganda destas ações “filantrópicas”, sem perceber este público de consumidores em potencial.

A “cegueira” corporativa na qual estão mergulhadas as empresas brasileiras é reflexo de séculos em que a pessoa com deficiência foi marginalizada, vivendo normalmente fora da sociedade, escondidas por suas famílias, invisíveis ao mundo pelos preconceitos e por falta de conhecimento sobre sua capacidade laboral e cognitiva.

Ainda hoje é bastante comum associar uma pessoa com deficiência a um pedinte, sem dar crédito às suas capacidades, antes discriminando-a pelo que ela “supostamente” não pode fazer, deixando-se levar por uma visão equivocada de que uma pessoa que tenha alguma limitação é imprópria para o trabalho, por isso deve ser assistido em algum programa social.

É possível que um comerciante que veja uma pessoa com cadeira de rodas passando em frente ao seu estabelecimento todos os dias sem nunca entrar, passe a acreditar que ele não se interessa por sua mercadoria sem perceber que na realidade ele não entra por que não há uma rampa de acesso e a calçada é muito alta.

Ninguém imagina que um cego que passa em frente a uma loja de calçados e nunca entra, simplesmente não sabe que ela existe, por isso prefere comprar em um lugar que conhece, com indicação de algum parente ou amigo.

Em qualquer dos casos, o empresário simplesmente acha que este público não se interessa por seu serviço quando na realidade é ele quem não se interessa por este público, já que não o respeita oferecendo-lhe meios para usufruir de seus produtos e serviços.