CPTM quer largar pessoas com deficiência na Linha de bloqueios da estação

Assim como no Metrô de São Paulo, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também começa a causar problemas para as pessoas com deficiência em várias Estações da rede ferroviária.

Segundo informações de usuários com deficiência e funcionários da Companhia, a estação Francisco Morato estaria em discussão para proibir os funcionários de acompanhar pessoas com deficiência até às saídas ou até os terminais de ônibus municipais, que são conectados à estação, deixando de atendê-los na linha de bloqueios, ou em termos populares: Largar as pessoas nas catracas da estação.

Os mesmos usuários afirmam que são atendidos no desembarque apenas em uma pequena porcentagem das viagens, sendo que tanto nesta como em outras estações da rede, para chegar à linha de bloqueios, normalmente às pessoas com deficiência precisam pedir ajuda à usuários que estão desembarcando.

Se esta informação for confirmada, os funcionários da CPTM na estação Francisco Morato, virtualmente deixariam de atender às pessoas com deficiência, que ficariam sob responsabilidade dos demais usuários.

Via Twitter, a CPTM apenas declarou que “Alguns usuários pedem para serem deixados na linha de bloqueios”, mas não comentou a informação de que a estação Francisco Morato estaria discutindo encerrar o atendimento dos usuários na linha de bloqueios.

Se a informação for verdadeira, a atitude representa um retrocesso, visto que a estação é improvisada e as adaptações de acessibilidade são ineficientes, em alguns casos, chegam a apresentar riscos para os usuários com alguns tipos de deficiência.

Às pessoas tem diferentes níveis de experiência e nem sempre estão acostumadas a circular pela estação, podendo estar só de visita ou se sentir mais seguros com apoio de um funcionário.

Em qualquer dos casos, é inadmissível que a gestão da estação tenha a prerrogativa de abandonar o usuário na linha de bloqueios.

Petição popular pede aumento no programa jovem cidadão do metrô de São Paulo

Depois de um boato falando sobre uma possível quebra de contrato com o Programa Jovem Cidadão no Metrô de São Paulo, pessoas com deficiência visual, que seriam diretamente impactadas com o suposto cancelamento, já se organizam em uma petição endereçada à companhia, não para extinguir o programa, mas para aumentar o efetivo disponível nas estações.

O movimento foi iniciado no início desta semana e até esta sexta-feira, quando concluímos essa postagem, já havia 221 signatários na petição.

A polémica teve início em fevereiro, quando usuários do sistema denunciaram através das redes sociais que o metrô estaria descontinuando o programa, que atende cerca de 2000 pessoas com deficiência visual diariamente.

A informação teria partido dos próprios funcionários do programa, que já estariam com contratos para vencer, alegando que não havia perspectiva de renovação.

O metrô fez uma reunião com usuários no auditório da Laramara, que contou com a presença de aproximadamente 100 usuários com deficiência visual e negou a extinção do programa, mas deixou claro que poderia haver uma diminuição do quadro em virtude de problemas financeiros.

Vários usuários presentes responderam dizendo que o programa é uma questão de segurança para às pessoas com deficiência visual e rebateram dizendo que com segurança não se economiza.

Via Twitter o Metrô se manifestou reafirmando que o programa não seria descontinuado, mas não comentou a respeito da diminuição do efetivo.

Enquanto isso, a Petição segue disponível para quem quiser assinar e divulgar.

Metrô de São Paulo ouviu sugestões de pessoas com deficiência visual na Laramara.

Funcionários do setor de ações de relacionamento inclusivas do metrô de são Paulo, se reuniram esta semana com usuários do sistema no auditório da Laramara.

A principal proposta do evento, foi de esclarecer os boatos de que o metrô estaria preparando uma extinção do serviço de jovens-cidadãos nas estações da companhia.

Para quem não conhece ou não mora em São Paulo, eles são jovens em idade escolar que prestam serviços em todas as estações do metrô, executando diversas atividades, entre elas, a condução, embarque e desembarque de pessoas com deficiência no metrô de São Paulo.

A reunião, que começou por volta de 10 da manhã da última quinta-feira, foi aberta ao público e contou com a presença de aproximadamente 90 pessoas com deficiência visual, entre usuários da Laramara, ADEVA e de várias pessoas que souberam do evento através das redes sociais.

Em fala na abertura do evento, o professor de orientação e mobilidade João de Moraes Felipe, destacou a importância da reclamação como exercício de cidadania, e lembrou que as pessoas com deficiência visual devem se manifestar com os serviços de atendimento das empresas para que suas dificuldades sejam conhecidas e seus direitos respeitados.

Os funcionários do metrô responderam várias dúvidas dos usuários e se comprometeram a voltar em aproximadamente um mês para continuar ouvindo as sugestões e as demandas.

O Blog Inclunet vai continuar postando informações sobre esta reunião durante as próximas semanas, assim como o que for melhorado ou resolvido em decorrência dela.

Se você tem algum problema, dificuldade ou dúvida, use o canal de comunicação disponibilizado pelo metrô para registrar ela. O telefone da central de atendimento do metrô é: 0800-770-7722 e funciona diariamente das 5h 30m às 23h 30m.

Para denúncias use o SMS: (11) 97333-2252

Fundação Vunesp Dificulta a Vida das Pessoas com Deficiência Visual

A Fundação para o Vestibular da UNESP (VUNESP), que atualmente é uma das maiores promotoras de concursos públicos do Brasil, simplesmente está ignorando o direito de acesso a informações em seu site, dificultando ou impedindo o manuseio adequado deste por pessoas com deficiência visual.

A instituição, que já tem mais de 36 anos de atuação, foi fundada em 26 de Outubro de 1979 pelo conselho universitário da Universidade do estado de são Paulo (UNESP) e seus principais objetivos, segundo às poucas informações disponíveis em seu site, são planejar, organizar, executar e supervisionar o concurso Vestibular da Unesp; realizar vestibulares e concursos diversos para outras instituições públicas ou privadas; coletar, organizar, analisar e encaminhar ao Conselho Universitário da Unesp informações técnicas e dados estatísticos relativos ao seu vestibular; promover atividades de pesquisa e extensão de serviços à comunidade, na área educacional; desenvolver outras atividades compatíveis com suas finalidades.

Quando uma organização se propõe a gerir concursos públicos, vestibulares, e outros tipos de concorrências, ela deve prover meios para que seu público consiga acessar às informações relacionadas a ele, não importando se esta pessoa tem alguma restrição de mobilidade, ou sensorial, de forma que ela consiga preencher e alterar seus dados, consultar às informações relacionadas à sua inscrição e consiga inclusive entrar com recursos caso julgue necessário.

O blog Inclunet, tentou vários contatos com a fundação, sem obter resposta até o fechamento desta postagem.

Campanha sobre o dia da pessoa com deficiência causa polêmica


Essa semana o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Curitiba, resolveu comemorar o dia internacional da pessoa com deficiência de uma forma para lá de diferente.

Se passando por alguém bastante revoltado com os direitos das pessoas com deficiência, o falso movimento pregava a revogação de supostos privilégios atribuídos às pessoas com deficiência, reivindicando a redução de vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência física, além de acabar com a lei de cotas trabalhistas para empresas e órgãos públicos.

A falsa campanha chocou às pessoas, primeiro pela falta de bom-senso, e segundo pela falta de respeito pela pessoa humana, desrespeitando inclusive a nova Lei Brasileira de Inclusão, que entra em vigor no próximo dia primeiro de janeiro.

É claro que choveram críticas no Facebook, através da página criada pelo falso movimento e a história foi parar na mídia, chamando a atenção de ainda mais pessoas para o assunto.

A página chegou a receber mais de 5000 curtidas em menos de 24 horas e uma quantidade vertiginosa de manifestações contrárias por minuto.

No dia seguinte o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Curitiba desmentiu o Falso movimento e se explicou no programa da Fátima Bernardes, da TV Globo.

Se a campanha foi boa ou ruim, não vamos analisar aqui neste momento, são muitas opiniões diferentes, o tema é bastante polêmico e as opiniões são divergentes.

Entretanto, o que se pode perceber de negativo através do movimento é a intolerância com a qual algumas pessoas com deficiência e profissionais da ária trataram o tema, visto que após a revelação, passaram a discutir entre si sobre os malefícios causados pelo conselho e se este tinha agido certo ou errado em vez de aproveitar a publicidade para debater o tema.

Por outro lado, usar a discriminação como forma de publicidade é algo muito arriscado, por que pessoas desinformadas poderiam aproveitar este momento para deflagrar ações de intolerância reais contra às pessoas com deficiência. Embora não seja expressivo, na petição montada pelo falso movimento, houveram alguns signatários, o que acende uma luz de alerta e mostra que devemos conscientizar as pessoas.

Quem planta barreiras colhe prejuízos

A lei 8213/91 possibilitou que às pessoas com deficiência tenham acesso ao emprego, obrigando às empresas a contratar pessoas com deficiência e integrá-las ao mercado de trabalho formal.

Quando às pessoas com deficiência tiveram acesso ao emprego, antes mesmo de receber o primeiro salário, vieram os primeiros problemas. Os serviços não estavam preparados para recebê-los e as questões relacionadas com a deficiência ainda estavam sendo tratadas como uma questão de assistência social.

Esta postura não mudou muito durante estes 24 anos, grande parte das empresas não vê a pessoa que tem alguma limitação como um cliente ou funcionário com o mesmo potencial que qualquer outro, quando muito, ao atendê-lo, enxerga a possibilidade de se posicionar como uma empresa que se destaca por que investe em responsabilidade social, fazendo enorme propaganda destas ações “filantrópicas”, sem perceber este público de consumidores em potencial.

A “cegueira” corporativa na qual estão mergulhadas as empresas brasileiras é reflexo de séculos em que a pessoa com deficiência foi marginalizada, vivendo normalmente fora da sociedade, escondidas por suas famílias, invisíveis ao mundo pelos preconceitos e por falta de conhecimento sobre sua capacidade laboral e cognitiva.

Ainda hoje é bastante comum associar uma pessoa com deficiência a um pedinte, sem dar crédito às suas capacidades, antes discriminando-a pelo que ela “supostamente” não pode fazer, deixando-se levar por uma visão equivocada de que uma pessoa que tenha alguma limitação é imprópria para o trabalho, por isso deve ser assistido em algum programa social.

É possível que um comerciante que veja uma pessoa com cadeira de rodas passando em frente ao seu estabelecimento todos os dias sem nunca entrar, passe a acreditar que ele não se interessa por sua mercadoria sem perceber que na realidade ele não entra por que não há uma rampa de acesso e a calçada é muito alta.

Ninguém imagina que um cego que passa em frente a uma loja de calçados e nunca entra, simplesmente não sabe que ela existe, por isso prefere comprar em um lugar que conhece, com indicação de algum parente ou amigo.

Em qualquer dos casos, o empresário simplesmente acha que este público não se interessa por seu serviço quando na realidade é ele quem não se interessa por este público, já que não o respeita oferecendo-lhe meios para usufruir de seus produtos e serviços.