Dia do amigo

São vários os artigos falando sobre a vida das pessoas com deficiência na escola, no trabalho, com a família e com a sociedade, mas são poucas vezes em que se fala na importância dos amigos, tanto os amigos com deficiência, quanto os que não tem deficiência alguma.

Os idealistas podem pregar que a vida de uma pessoa com deficiência pode ser perfeitamente normal, mas essa “normalidade” simplesmente não é verdadeira.

São muitos conflitos internos, perguntas, dificuldades e desilusões, todas somadas às dificuldades da deficiência e potencializadas por um sentimento de solidão e impotência que ultrapassa qualquer sentido de normalidade que você possa imaginar.

Durante esta fase, um amigo de verdade na vida de uma pessoa com deficiência tem um significado muito difícil de se expressar em palavras, pois eles, os amigos, são junto com a família, um apoio confortável, um resquício de normalidade.

Sempre tem aquela coisa que você não quer contar nem para sua mãe, nem para seu pai e muito menos para os seus irmãos, mas que você mal vê a hora de encontrar um amigo para botar o papo em dia.

Aos nossos amigos: Agradeço imensamente por tudo que vocês fizeram e que até hoje fazem por nós, pelos ouvidos emprestados e pelas palavras de apoio. Enfim, por nos aceitar como somos, sem levar em consideração às nossas pequenas grandes diferenças.

Metrô de São Paulo ouviu sugestões de pessoas com deficiência visual na Laramara.

Funcionários do setor de ações de relacionamento inclusivas do metrô de são Paulo, se reuniram esta semana com usuários do sistema no auditório da Laramara.

A principal proposta do evento, foi de esclarecer os boatos de que o metrô estaria preparando uma extinção do serviço de jovens-cidadãos nas estações da companhia.

Para quem não conhece ou não mora em São Paulo, eles são jovens em idade escolar que prestam serviços em todas as estações do metrô, executando diversas atividades, entre elas, a condução, embarque e desembarque de pessoas com deficiência no metrô de São Paulo.

A reunião, que começou por volta de 10 da manhã da última quinta-feira, foi aberta ao público e contou com a presença de aproximadamente 90 pessoas com deficiência visual, entre usuários da Laramara, ADEVA e de várias pessoas que souberam do evento através das redes sociais.

Em fala na abertura do evento, o professor de orientação e mobilidade João de Moraes Felipe, destacou a importância da reclamação como exercício de cidadania, e lembrou que as pessoas com deficiência visual devem se manifestar com os serviços de atendimento das empresas para que suas dificuldades sejam conhecidas e seus direitos respeitados.

Os funcionários do metrô responderam várias dúvidas dos usuários e se comprometeram a voltar em aproximadamente um mês para continuar ouvindo as sugestões e as demandas.

O Blog Inclunet vai continuar postando informações sobre esta reunião durante as próximas semanas, assim como o que for melhorado ou resolvido em decorrência dela.

Se você tem algum problema, dificuldade ou dúvida, use o canal de comunicação disponibilizado pelo metrô para registrar ela. O telefone da central de atendimento do metrô é: 0800-770-7722 e funciona diariamente das 5h 30m às 23h 30m.

Para denúncias use o SMS: (11) 97333-2252

Fundação Vunesp Dificulta a Vida das Pessoas com Deficiência Visual

A Fundação para o Vestibular da UNESP (VUNESP), que atualmente é uma das maiores promotoras de concursos públicos do Brasil, simplesmente está ignorando o direito de acesso a informações em seu site, dificultando ou impedindo o manuseio adequado deste por pessoas com deficiência visual.

A instituição, que já tem mais de 36 anos de atuação, foi fundada em 26 de Outubro de 1979 pelo conselho universitário da Universidade do estado de são Paulo (UNESP) e seus principais objetivos, segundo às poucas informações disponíveis em seu site, são planejar, organizar, executar e supervisionar o concurso Vestibular da Unesp; realizar vestibulares e concursos diversos para outras instituições públicas ou privadas; coletar, organizar, analisar e encaminhar ao Conselho Universitário da Unesp informações técnicas e dados estatísticos relativos ao seu vestibular; promover atividades de pesquisa e extensão de serviços à comunidade, na área educacional; desenvolver outras atividades compatíveis com suas finalidades.

Quando uma organização se propõe a gerir concursos públicos, vestibulares, e outros tipos de concorrências, ela deve prover meios para que seu público consiga acessar às informações relacionadas a ele, não importando se esta pessoa tem alguma restrição de mobilidade, ou sensorial, de forma que ela consiga preencher e alterar seus dados, consultar às informações relacionadas à sua inscrição e consiga inclusive entrar com recursos caso julgue necessário.

O blog Inclunet, tentou vários contatos com a fundação, sem obter resposta até o fechamento desta postagem.

E esse tal Leitor de BIOS?

É possível que exista um dispositivo USB capaz de ler a BIOS do computador?

Esta Pergunta está me assombrando à várias semanas, depois que essa postagem apareceu no facebook e começou a ser distribuída em listas de discussões de todos os gêneros ligados às pessoas com deficiência visual.

Em primeiro lugar é importante saber o que é BIOS?

Resumindo em poucas palavras: É um pequeno programa responsável por ligar o computador, sem ele você não poderia ler esta postagem, por que seu computador não estaria ligado.

O que seria um leitor de BIOS e por quê ele é tão interessante, a ponto de tantas pessoas com deficiência visual tentarem comprar um?

Na teoria, o dispositivo seria capaz de ler as configurações iniciais da BIOS, coisa que os softwares leitores de tela não podem fazer, uma vez que eles são instalados no sistema operacional e só conseguem transformar em voz aquilo que se encontra dentro do sistema operacional do computador.

Se um dispositivo deste tipo fosse possível, assumindo que de alguma forma mágica ele consiga ler este pequeno sistema de inicialização do computador, é possível que ele pudesse ler informações de uma TV, o que faria com que ele fosse um santo graal para todos os cegos do Brasil.

Um técnico de informática cego poderia alterar a ordem em que os discos são inicializados e formatar computadores sem auxílio de outra pessoa.

Seriam várias possibilidades e consequentemente, várias pessoas já pagaram por este dispositivo, que na nossa modesta opinião simplesmente não existe!

Um site relacionado a comunidade de pessoas com deficiência visual, publicou essa semana uma nota de repúdio ao autor desta suposta fraude, enquanto nós aqui do blog tentamos entrar em contato com ele, que apenas responde enviando um áudio com a demonstração do suposto dispositivo, informando também a conta para depósito da quantia cobrada por ele, R$ 50,00.

Foram divulgados dois áudios, em que o suposto desenvolvedor afirma categoricamente que não tem culpa do atraso, dizendo que a culpa é dos correios e que eles vão reenviar as encomendas gratuitamente, assim que forem devolvidas para ele. “Não tenho como passar o dia no correio”, diz ele.

No segundo áudio, ele afirma que vai devolver o valor das pessoas que solicitarem por e-mail, mas diz que não tem como lembrar de todas as centenas de pessoas que pediram o aparelho, lembrando também que o projeto de 3 anos vai morrer por que as pessoas o estão chamando de estelionatário.

O blog Inclunet vai continuar acompanhando este caso polêmico, que mais parece uma tentativa de estelionato coletivo de pessoas cegas.

Você já foi discriminado?

Uma das perguntas mais comuns em rodas de amigos ou mesmo quando alguém timidamente acaba querendo saber um pouco mais sobre uma pessoa com deficiência é a seguinte: “Você já se sentiu discriminado ou já sofreu algum tipo de preconceito? “.

A discriminação, na verdade é uma coisa bastante complicada de se identificar e de se combater. Primeiro por que ela consegue se disfarçar de ajuda e compaixão da mesma forma como se revela em forma de preconceito e descaso.

O mais comum, no entanto, é tratar o preconceito e o descaso como discriminação, enquanto as ajudas e a compaixão como gentileza, bondade ou termos equivalentes.

Discriminar é diferenciar algo ou alguém dos seus iguais, seja esta diferenciação positiva ou negativa.

Esta situação fica clara quando um professor não pode ocupar seu cargo em um concurso público, apenas por quê um médico despreparado resolve que a pessoa é incapaz de lecionar baseado em uma ciência exata chamada de achologia, só que não fica assim tão clara quando uma simpática senhora tenta desviar uma pessoa cega da escada fixa, apenas por que ela está fazendo a gentileza de mostrar ao pobrezinho a escada rolante.

A discriminação que ocorre dentro do ser humano é tão nociva e prejudica tanto quanto a discriminação exacerbada, normalmente ofensiva que estamos acostumados a combater, até por que não tem jeito de combater uma pessoa que acha que está te ajudando e pensa que aquilo é uma coisa boa para você.

Mas uma coisa é você ajudar alguém porque tem consciência de que ela tem dificuldades oriundas de sua deficiência, e uma outra coisa completamente diferente é ajudar uma pessoa por que o “coitado” não consegue fazer nada.

É este sentimento de proteção que deve ser combatido, é necessário refletir sobre como conscientizar às pessoas e finalmente passar de coitados a cidadãos, é preciso demonstrar para todos que na verdade somos todos iguais, mesmo tendo algumas pequenas diferenças.

5º Seminário Locaweb PHPSP foi bastante acessível!

Quando uma pessoa com deficiência vai a um evento, ela normalmente espera passar por alguns transtornos. Isso porquê organizadores de eventos geralmente não esperam por alguém com alguma limitação e de certa forma, com o tempo a pessoa com deficiência se acostuma com os desconfortos ou para de frequentar eventos não segmentados.

Frequento feiras e seminários que não contemplam acessibilidade, por que é nelas que encontro vários dos conhecimentos e expertises de que preciso, além disso se eu for esperar eles tornarem-se acessíveis para poder frequentá-los, estarei fadado a não ir a nem um seminário pelo resto da vida.

Antes de ser uma pessoa com deficiência, eu sou uma pessoa que tem uma profissão, interesses e que quer progredir, adquirindo sempre mais conhecimento, independente das barreiras.

Tive o prazer de ir ao 5º Seminário Locaweb PHPSP, que foi realizado sábado dia 30 de janeiro, na Fundação Bienal, ali no parque do Ibirapuera em são Paulo.

Consciente das dificuldades que poderia encontrar, chamei meu amigo Edson para ir junto comigo, primeiro por que ele está aprendendo a programar em PHP e depois, por que ir em eventos sozinho é bastante chato.

Fiquei bastante surpreso com a apresentação de slides interativos que foram utilizados durante o evento, por que mesmo eu sendo totalmente cego, pude acessá-los como qualquer outra pessoa na plateia, já que estes slides foram desenvolvidos com HTML5 e estavam sendo controlados pelo palestrante, permitindo interações da plateia como em ocasiões em que a audiência devia responder sim ou não para alguma pergunta, ou quando a plateia gostaria de mudar de assunto em uma mesa redonda.

No evento até os sorteios de brindes puderam ser acompanhados pelo smartphone ou computador conectados à apresentação de slides, tudo de forma acessível para pessoas com deficiência visual, o que foi fantástico, visto que isto era totalmente inesperado até para quem construiu o app de apresentações.

 

Parabéns para a equipe do PHPSP e da Locaweb pelo seminário e obrigado pelo apoio.

 

Campanha sobre o dia da pessoa com deficiência causa polêmica


Essa semana o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Curitiba, resolveu comemorar o dia internacional da pessoa com deficiência de uma forma para lá de diferente.

Se passando por alguém bastante revoltado com os direitos das pessoas com deficiência, o falso movimento pregava a revogação de supostos privilégios atribuídos às pessoas com deficiência, reivindicando a redução de vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência física, além de acabar com a lei de cotas trabalhistas para empresas e órgãos públicos.

A falsa campanha chocou às pessoas, primeiro pela falta de bom-senso, e segundo pela falta de respeito pela pessoa humana, desrespeitando inclusive a nova Lei Brasileira de Inclusão, que entra em vigor no próximo dia primeiro de janeiro.

É claro que choveram críticas no Facebook, através da página criada pelo falso movimento e a história foi parar na mídia, chamando a atenção de ainda mais pessoas para o assunto.

A página chegou a receber mais de 5000 curtidas em menos de 24 horas e uma quantidade vertiginosa de manifestações contrárias por minuto.

No dia seguinte o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Curitiba desmentiu o Falso movimento e se explicou no programa da Fátima Bernardes, da TV Globo.

Se a campanha foi boa ou ruim, não vamos analisar aqui neste momento, são muitas opiniões diferentes, o tema é bastante polêmico e as opiniões são divergentes.

Entretanto, o que se pode perceber de negativo através do movimento é a intolerância com a qual algumas pessoas com deficiência e profissionais da ária trataram o tema, visto que após a revelação, passaram a discutir entre si sobre os malefícios causados pelo conselho e se este tinha agido certo ou errado em vez de aproveitar a publicidade para debater o tema.

Por outro lado, usar a discriminação como forma de publicidade é algo muito arriscado, por que pessoas desinformadas poderiam aproveitar este momento para deflagrar ações de intolerância reais contra às pessoas com deficiência. Embora não seja expressivo, na petição montada pelo falso movimento, houveram alguns signatários, o que acende uma luz de alerta e mostra que devemos conscientizar as pessoas.

Quem falou que eu não consigo?

Algumas pessoas subestimam quem tem deficiência, achando que não somos capazes de fazer as mesmas coisas que elas.

Pessoas ao redor, colegas de trabalho, professores e familiares acreditam que por causa da deficiência não é possível realizar tarefas simples, o que dirá as mais complexas sem ao menos nos consultar, criando opiniões equivocadas que contribuem para o crescimento do pré-conceito.

Isso acontece diariamente com quem tem alguma deficiência, na maioria das vezes é difícil se defender, já que ninguém fala diretamente para a pessoa, simplesmente cria sua opinião e disfarça falando: “nossa vocês são um exemplo para nós” ou “nossa, não sei como você consegue andar sozinho”.

O pior é quando esse tipo de “conceito vem de um professor, em quem apoiamos nossos objetivos de aprendizagem e ele nos limita de aprender coisas novas, não nos desafia, nem nos consulta por causa da deficiência que parece ser um “oloforte” impedindo-o de ver a pessoa como um aluno, um aprendiz com capacidades iguais as de todos os outros.

Mesmo sem intenção a família ou o professor podem estar prejudicando a pessoa com deficiência, inpedindo-o de aprender e se desenvolver, por que tem medo de que eles se machuquem, errem, ou se frustrem.

5 motivos para você não dizer que sou amigo de alguém

Pode parecer inofensivo e até coisa de gente chata, mas tem gente que deixa as pessoas com deficiência visual bem bravas quando dizem “Olha, tem um amigo seu ali”. Por isso preparamos uma lista com 5 motivos, que podem não ser muito bons, mas são o suficiente para você não bancar o padrinho de amizades em um local público!
1. Você não sabe se essas duas pessoas se conhecem, nem sabe se elas gostam uma da outra. Já pensou se essas pessoas têm alguma desavença e estão só esperando uma oportunidade para acertar as contas?
2. Não dê uma de cupido! Não aproxime duas pessoas só por que “eles ficam tão bonitinhos juntos”, a final eles já podem ter formado um casal e tudo que querem agora é distância um do outro.
3. Seja razoável, tem pessoas muito desagradáveis, das quais você gostaria de ficar distante, tenho certeza de que ninguém gostaria se alguém providenciasse um desagradável bate-papo com alguém extremamente chato ou mesmo bêbado para você.
4. Algumas pessoas aproveitam viagens entre a casa e o trabalho para refletir sobre algum problema ou para ler um bom livro, e não espera ou não quer fazer amigos neste momento, não banque o estraga prazeres frustrando a diversão ou a reflexão dela.
5. Existem pessoas que tem dificuldades para se relacionar e estas apresentações inesperadas podem deixar a pessoa sem jeito ou mesmo causar uma situação bastante desconfortável.
O sentido desta postagem é fazer com que você leitor, que enxerga e não gosta de se colocar em situações potencialmente desagradáveis, não acabe entrando em uma ou colocando, inadvertidamente alguém em uma situação, evitando com isto causar uma briga entre rivais ou ter que presenciar uma discussão entre duas pessoas que se separaram.

Facebook Pretende ajudar Pessoas Cegas a Entender Fotos Postadas na Rede Social

O Facebook é provavelmente a maior rede social do mundo hoje. As pessoas com deficiência visual também utilizam a rede, assim como todo mundo eles fazem uso dela por distração, para se comunicar ou como uma fonte de notícias, entretanto boa parte destas notícias são divulgadas em forma de imagem, incluindo fotos de parentes e amigos, charges, entre outras fotos que geralmente são enviadas sem qualquer descrição.

Se a pessoa quiser saber o que há na foto ela tem duas opções: Ler atentamente os comentários (caso haja algum) e com base neles deduzir o que há na imagem. Ou pode perguntar para a pessoa que publicou a foto o que é, mas com tantas fotos sendo publicadas todos os dias, esta tarefa se torna no mínimo inviável.

Recentemente, segundo uma matéria do Olhar Digital, o Facebook divulgou que está desenvolvendo uma tecnologia que deverá estar disponível até o final do ano, que pretende pelo menos dar uma noção do que está na foto, reconhecendo e destacando seus elementos principais.

Se o Facebook realmente alcançar este objetivo, pessoas com alguma deficiência visual não vão mais depender exclusivamente das descrições.

Com esta tecnologia associada ao reconhecimento facial que já existe no serviço, as pessoas cegas estão mais perto de “ver” aquelas fotos tiradas no final de semana!