Quem planta barreiras colhe prejuízos

A lei 8213/91 possibilitou que às pessoas com deficiência tenham acesso ao emprego, obrigando às empresas a contratar pessoas com deficiência e integrá-las ao mercado de trabalho formal.

Quando às pessoas com deficiência tiveram acesso ao emprego, antes mesmo de receber o primeiro salário, vieram os primeiros problemas. Os serviços não estavam preparados para recebê-los e as questões relacionadas com a deficiência ainda estavam sendo tratadas como uma questão de assistência social.

Esta postura não mudou muito durante estes 24 anos, grande parte das empresas não vê a pessoa que tem alguma limitação como um cliente ou funcionário com o mesmo potencial que qualquer outro, quando muito, ao atendê-lo, enxerga a possibilidade de se posicionar como uma empresa que se destaca por que investe em responsabilidade social, fazendo enorme propaganda destas ações “filantrópicas”, sem perceber este público de consumidores em potencial.

A “cegueira” corporativa na qual estão mergulhadas as empresas brasileiras é reflexo de séculos em que a pessoa com deficiência foi marginalizada, vivendo normalmente fora da sociedade, escondidas por suas famílias, invisíveis ao mundo pelos preconceitos e por falta de conhecimento sobre sua capacidade laboral e cognitiva.

Ainda hoje é bastante comum associar uma pessoa com deficiência a um pedinte, sem dar crédito às suas capacidades, antes discriminando-a pelo que ela “supostamente” não pode fazer, deixando-se levar por uma visão equivocada de que uma pessoa que tenha alguma limitação é imprópria para o trabalho, por isso deve ser assistido em algum programa social.

É possível que um comerciante que veja uma pessoa com cadeira de rodas passando em frente ao seu estabelecimento todos os dias sem nunca entrar, passe a acreditar que ele não se interessa por sua mercadoria sem perceber que na realidade ele não entra por que não há uma rampa de acesso e a calçada é muito alta.

Ninguém imagina que um cego que passa em frente a uma loja de calçados e nunca entra, simplesmente não sabe que ela existe, por isso prefere comprar em um lugar que conhece, com indicação de algum parente ou amigo.

Em qualquer dos casos, o empresário simplesmente acha que este público não se interessa por seu serviço quando na realidade é ele quem não se interessa por este público, já que não o respeita oferecendo-lhe meios para usufruir de seus produtos e serviços.