Facebook testa descrição de imagens para leitor de tela

Durante estas últimas duas semanas estamos acompanhando uma profusão de novidades tecnológicas vindas de algumas empresas de tecnologia norte-americanas, que estão prometendo beneficiar e muito às pessoas com deficiência visual.

Segundo uma matéria divulgada esta terça-feira no site do Olhar Digital, Usuários com deficiência visual do Facebook em inglês já estão testando uma tecnologia baseada em inteligência artificial, que descreve aproximadamente o conteúdo das imagens publicadas na rede social.

Com aproximadamente 300 milhões de pessoas cegas ou com dificuldades para enxergar utilizando a rede diariamente, a iniciativa demonstra respeito pelas pessoas com deficiência visual e oferecem um pouco mais de autonomia para este público, que passa a poder “ver” as fotos como informação útil.

Segundo o Olhar digital, a tecnologia é chamada de “automática alternativa texto”, e reconhece pontos específicos nas fotos, gerando uma descrição aproximada do conteúdo da imagem, que pode ser falada posteriormente através de um software leitor de tela, que normalmente é usado por pessoas com deficiência visual para acessar, entre outras coisas, o feed de notícias.

Até então, quando a pessoa com deficiência rolava o feed e encontrava uma foto, o usuário só ouvia o nome da pessoa que fez o post seguido pela palavra “foto”. Agora há uma descrição mais rica e é possível ouvir coisas como “a imagem pode conter três pessoas, sorrindo, em ambiente externo”.

Num primeiro momento, apenas quem usa o Facebook no iOS em inglês terá acesso à novidade, mas a empresa promete expansões para outros idiomas.

Colando Grau ou pagando mico?

Gostaria de dizer que aqui eu vou descer o sarrafo, para quem quiser saber sobre a emoção, o quanto me sinto feliz e toda a parte emocional visite meu Facebook, lá você vai ver tudo isso, e sim foi o máximo!

Eventos sociais são no mínimo problemáticos para nós, pessoas cegas.

Não, eu não estou dizendo que uma pessoa cega seja antissocial e que não deve comparecer em eventos deste tipo, mas em situações meio ritualísticas como casamento, cerimônias religiosas, formaturas e eventos em que se espera certos comportamentos “Padronizados”, que exigem imitação, fazemos parte de um grupo de pessoas que invariavelmente paga grandes micos.

A bola da vez foi o mico que paguei esta semana entrando na minha colação de grau usando capelo (um chapel quadrado com uma cordinha do lado esquerdo que os formandos normalmente usam), por que ninguém me informou que só se usa capelo quando ocorre a outorga de grau, ou seja, quando você está oficialmente formado.

Tá. Isso não foi aquele mico, mas eu já estive em lugares onde era necessário se sentar depois que era dado um sinal. Claro, eu fui o único a ficar de pé e isso senhores e senhoras, não é agradável.

Não dá para entender por qual motivo as pessoas não são um pouco mais descritivas. Já que Audiodescrição pode não ser viável, informar as pessoas com deficiência antes da cerimônia sobre as etapas e combinar os procedimentos corretos para que ela não se sinta perdida é bem barato sabe?

Para você amigo leitor, isto pode não ser algo importante, mas a autoestima do ser humano é um fator frequentemente deixado de lado em situações como esta.

Os seres humanos são criaturas que vivem em busca de se enquadrar em algum grupo, vivem buscando fazer parte de algo e normalmente se frustram quando isto não acontece.

As pessoas que não tem deficiência agem por imitação e quando uma pessoa faz algo as outras à acompanham.

A pessoa cega não tem esta prerrogativa e não consegue imitar as outras pessoas visualmente, então é importantíssimo que as coisas sejam previamente combinadas e explicadas para que não continuemos fazendo papel de bobos em locais e eventos públicos.

No caso a cima, se não fosse meu sogro me avisar eu ficaria todo bonitão de capelo até que o mestre de cerimônia falasse “Agora os formandos podem colocar os capelos, que simboliza a outorga de grau e diz que agora vocês são profissionais Bacharéis, licenciados e tecnólogos”.