Nada por nós, sem nós. pelo a mor de deus!

Nunca a frase “Nada por nós, sem nós”, fez tanto sentido para as pessoas com deficiência quanto nos tempos em que vivemos. Cada vez mais adquirimos direitos, deveres, oportunidades e um monte de contas para pagar, mas mesmo assim, ainda há quem queira decidir por nós.

São pessoas, que embora tenham uma enorme “Boa Intenção”, acham que sabem o que é melhor para a pessoa com deficiência, tentando “adivinhar” o que ela precisa, seus desejos, suas vontades, suas limitações e frequentemente oprimem suas capacidades, fazendo com que estas pessoas passem, de fato a depender dos achismos do outro.

Em vários casos, a limitação física real não é a mesma que o “bem-intencionado” acredita que a pessoa tem, supervalorizando a limitação do outro e ignorando as próprias, o que atrapalha o desenvolvimento social, educacional e psicológico da pessoa com deficiência, fazendo-as acreditar que são menos capazes do que realmente são, limitando-as de forma inconsciente a uma condição de eterna inferioridade psicológica e social, da qual normalmente a pessoa nem desconfia.

Dos poucos capazes de entender e se rebelar, muitos são alvo de críticas. E por não se enquadrar no panorama pacífico relatado nos parágrafos anteriores, são tomados como rebeldes, pessoas com deficiência revoltadas e que não são como o fulaninho, o beltraninho que são tão bonzinhos.

O Blog Inclunet vai mostrar, a partir de hoje que uma moeda tem dois lados, mas continua sendo uma só.

Seminário Sistema Braille: Mãos à Obra!

Ontem participei do Seminário Internacional do Braille, promovido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) em conjunto com a União Latino Americana de Cegos (ULAC).

Durante o evento, diversas palestras discutiram a importância do Braille na educação e na sociedade.

A importância do Braille para a educação foi bastante destacada, visto que atualmente novas tecnologias aparentemente tem tomado parte do seu espaço.

Na fase de alfabetização o sistema Braille é indispensável, com ele a criança tem acesso às letras, aprendendo a ortografia e compreendendo aquilo que está lendo.

Um fato que chamou bastante a atenção de forma negativa é que algumas pessoas foram desrespeitosas, tanto com o público, quanto com os palestrantes. Algumas pessoas não paravam de conversar, mexiam no celular sem fones de ouvido, atendiam ligações sem a menor discrição e alguns riam quando o palestrante era estrangeiro.

A maioria dos participantes era de educadores e parte deles tinha deficiência visual. Não dá para entender como pessoas lutam tanto por respeito sem respeitar as outras pessoas.

Tem um palestrante extra na plateia!

Na maioria dos eventos relacionados às pessoas com deficiência que eu participo, seja como palestrante ou fazendo parte do público, sempre tem um palestrante oculto na plateia!

São microfone-maníacos, quando termina o hino nacional ele já está de pé, com a mão levantada e querendo fazer uma pergunta para o autor da letra!

AS vezes além de microfone-maníaco ele também é revolucionário, já sai lançando crítica: “Por que ouviram do Ipiranga? E se o cara não escuta? Acho que o governo Brasileiro deveria mudar a letra para tornar o hino nacional mais inclusivo”.

Mas o mestre de cerimônias fica com gastrite mesmo é quando chega a hora das perguntas e o famoso atrasa-fala levanta a mão. Esse cara é um verdadeiro palestrante. Cheio de ideias e críticas, ele consome os 5 minutos reservados para as perguntas do público sozinho, depois consome outros 20 da fala do palestrante seguinte.

Tem também a turma que gosta de promover o trabalho da instituição de que faz parte, e pega o microfone só para dizer: “Oi eu sou o Joãozinho, presidente da associação dos Joãozinho de Joanópolis do Sul. Eu gostaria de parabenizar o palestrante, o que ele falou é muito importante, lá em Joanópolis do Sul temos um trabalho muito parecido, patrocinado pela fábrica de camisas João em parceria com a prefeitura municipal de Joanópolis do Sul”.

Tem perguntas muito boas em eventos relacionados às pessoas com deficiência e com certeza absoluta, toda a plateia adora quando alguém faz aquela pergunta que está na ponta da língua de todos, mas pessoas como as descritas a cima tem que tomar um pouco de educação líquida para não atrapalhar os outros. Todo evento tem uma programação, segue horários e nunca se sabe se aquele discurso interminável vai fazer com que o palestrante perca um voo, o que vai causar uma serie de transtornos para ele, além de ser muito desagradável ver alguém palestrando na hora da fala dele.

Para um palestrante é ótimo ouvir perguntas da plateia, quem não gosta de tirar dúvidas, mas se não for uma pergunta ou uma contribuição sobre o assunto debatido e a fala só servir para tomar o tempo do evento, a participação dessa pessoa será improdutiva e sem sentido.