Mamãe, quero ganhar um tablet!

Está chegando o dia das crianças e muitos pais estão de cabelo em pé com o pedido da criança com deficiência visual! E essa agora: meu filho quer um tablete, o que faço?
Esta é uma pergunta bem normal. Muitas pessoas ainda não sabem que vários tabletes já vêm com acessibilidade da fábrica! O problema, na verdade, é que as interfaces não são muito amigáveis para as crianças com deficiência. Entretanto, já há casos em que crianças entre 5 e 7 anos de idade se entenderam muito bem com os equipamentos, e que, com pouco treino, já estão tocando o terror.
Os desafios estão em encontrar aplicativos e jogos educativos que este segmento de pequenos consigam manusear, já que assim como na WEB, as agências de mídia e desenvolvedores de jogos estão pouco se preocupando com este grande público de pequenos.
Neste sentido os pais devem estar atentos e compartilhar as descobertas entre si, porque até o momento a tecnologia é escassa nas instituições ligadas à reabilitação das pessoas com deficiência visual e também porque em vários casos os profissionais que atendem os pequenos estão pouco ou nada familiarizados com a tecnologia, além de muitos ainda alimentarem um medo de que a tecnologia suplante o braile.
Isto é preocupante porque as crianças sem deficiência estão aderindo em massa às novas tecnologias e esta é uma área em crescimento, ao passo que o mesmo não é verdadeiro em relação às crianças com deficiência. Em breve o processo educacional pode vir a se basear em tecnologias como tablets, enquanto a criança com deficiência ainda estará quatro gerações atrás, colocando papel em máquina de escrever mecânica, por causa de processos educacionais conservadores, mas sem razão de ser.
Não, amigos, eu não quero abolir o braile, mas eu queria deixar claro que a tecnologia não vai acabar com ele, por dois motivos muito importantes: o braile é a melhor forma de ensinar a criança a ler e é a forma mais fácil de deixar algumas coisas acessíveis.
Ao mesmo tempo é importante dizer: não teremos material braile (impresso em papel) abundante nem hoje nem em qualquer outro momento histórico. Não teremos jornais, enciclopédias ou dicionários braile em todas as escolas, e os livros didáticos vão continuar chegando depois que a criança termina o ano escolar, por que não é barato nem fácil editar, imprimir, embalar, transportar e armazenar este material. Depois que a criança terminar aquele ano, o próximo precisará de material atualizado e a novela recomeça.
Aceitemos o quanto antes que às pessoas com deficiência têm o direito de escolher a tecnologia que lhe convier no momento em que lhe aprouver, seja braile, soroban, computador ou tablet. Tem que ser apresentado e ensinado, e a escolha tem que ser sempre da pessoa que precisa do recurso e não de qualquer profissional, mesmo que ele seja um mastodonte da educação, porque cada ser humano é PHD em suas próprias limitações.
Agora, se a crise permitir, vá comprar o tablet do moleque!

Vamos preparar as crianças para a vida?

Atualmente, os pais estão criando os filhos na base do mimo, muitas vezes, por não conseguirem tempo suficiente para ficar com eles, agradando-os demais quando estão por perto, dando-lhes tudo o que pedem, deixando passar as birras e os momentos de mal criação.

Quando se trata de crianças com deficiência esse mimo é muito maior, numa mistura de super proteção e excesso de carinho, resultando em crianças que fazem birra por tudo e se frustram quando não conseguem algo.

Os mesmos pais que fazem tudo para que seus filhos não errem, se machuquem, se frustrem ou se aborreçam, fazendo deles o centro das atenções, podem estar criando adultos mal educados, que não aceitam as diferenças e as opiniões das outras pessoas.

Pais de pessoas com deficiência, normalmente confundem limitações com dependência, adotando uma postura superprotetora, que pode até afetar a pessoa intelectualmente.

As crianças com deficiência devem respeitar limites e regras como todas as outras, assim como devem (sempre que possível), passar pelas mesmas experiências, tanto boas, quanto ruins, para que se tornem adultos capazes de viver em sociedade.

Colando Grau ou pagando mico?

Gostaria de dizer que aqui eu vou descer o sarrafo, para quem quiser saber sobre a emoção, o quanto me sinto feliz e toda a parte emocional visite meu Facebook, lá você vai ver tudo isso, e sim foi o máximo!

Eventos sociais são no mínimo problemáticos para nós, pessoas cegas.

Não, eu não estou dizendo que uma pessoa cega seja antissocial e que não deve comparecer em eventos deste tipo, mas em situações meio ritualísticas como casamento, cerimônias religiosas, formaturas e eventos em que se espera certos comportamentos “Padronizados”, que exigem imitação, fazemos parte de um grupo de pessoas que invariavelmente paga grandes micos.

A bola da vez foi o mico que paguei esta semana entrando na minha colação de grau usando capelo (um chapel quadrado com uma cordinha do lado esquerdo que os formandos normalmente usam), por que ninguém me informou que só se usa capelo quando ocorre a outorga de grau, ou seja, quando você está oficialmente formado.

Tá. Isso não foi aquele mico, mas eu já estive em lugares onde era necessário se sentar depois que era dado um sinal. Claro, eu fui o único a ficar de pé e isso senhores e senhoras, não é agradável.

Não dá para entender por qual motivo as pessoas não são um pouco mais descritivas. Já que Audiodescrição pode não ser viável, informar as pessoas com deficiência antes da cerimônia sobre as etapas e combinar os procedimentos corretos para que ela não se sinta perdida é bem barato sabe?

Para você amigo leitor, isto pode não ser algo importante, mas a autoestima do ser humano é um fator frequentemente deixado de lado em situações como esta.

Os seres humanos são criaturas que vivem em busca de se enquadrar em algum grupo, vivem buscando fazer parte de algo e normalmente se frustram quando isto não acontece.

As pessoas que não tem deficiência agem por imitação e quando uma pessoa faz algo as outras à acompanham.

A pessoa cega não tem esta prerrogativa e não consegue imitar as outras pessoas visualmente, então é importantíssimo que as coisas sejam previamente combinadas e explicadas para que não continuemos fazendo papel de bobos em locais e eventos públicos.

No caso a cima, se não fosse meu sogro me avisar eu ficaria todo bonitão de capelo até que o mestre de cerimônia falasse “Agora os formandos podem colocar os capelos, que simboliza a outorga de grau e diz que agora vocês são profissionais Bacharéis, licenciados e tecnólogos”.

Nada por nós, sem nós. pelo a mor de deus!

Nunca a frase “Nada por nós, sem nós”, fez tanto sentido para as pessoas com deficiência quanto nos tempos em que vivemos. Cada vez mais adquirimos direitos, deveres, oportunidades e um monte de contas para pagar, mas mesmo assim, ainda há quem queira decidir por nós.

São pessoas, que embora tenham uma enorme “Boa Intenção”, acham que sabem o que é melhor para a pessoa com deficiência, tentando “adivinhar” o que ela precisa, seus desejos, suas vontades, suas limitações e frequentemente oprimem suas capacidades, fazendo com que estas pessoas passem, de fato a depender dos achismos do outro.

Em vários casos, a limitação física real não é a mesma que o “bem-intencionado” acredita que a pessoa tem, supervalorizando a limitação do outro e ignorando as próprias, o que atrapalha o desenvolvimento social, educacional e psicológico da pessoa com deficiência, fazendo-as acreditar que são menos capazes do que realmente são, limitando-as de forma inconsciente a uma condição de eterna inferioridade psicológica e social, da qual normalmente a pessoa nem desconfia.

Dos poucos capazes de entender e se rebelar, muitos são alvo de críticas. E por não se enquadrar no panorama pacífico relatado nos parágrafos anteriores, são tomados como rebeldes, pessoas com deficiência revoltadas e que não são como o fulaninho, o beltraninho que são tão bonzinhos.

O Blog Inclunet vai mostrar, a partir de hoje que uma moeda tem dois lados, mas continua sendo uma só.

Tem um palestrante extra na plateia!

Na maioria dos eventos relacionados às pessoas com deficiência que eu participo, seja como palestrante ou fazendo parte do público, sempre tem um palestrante oculto na plateia!

São microfone-maníacos, quando termina o hino nacional ele já está de pé, com a mão levantada e querendo fazer uma pergunta para o autor da letra!

AS vezes além de microfone-maníaco ele também é revolucionário, já sai lançando crítica: “Por que ouviram do Ipiranga? E se o cara não escuta? Acho que o governo Brasileiro deveria mudar a letra para tornar o hino nacional mais inclusivo”.

Mas o mestre de cerimônias fica com gastrite mesmo é quando chega a hora das perguntas e o famoso atrasa-fala levanta a mão. Esse cara é um verdadeiro palestrante. Cheio de ideias e críticas, ele consome os 5 minutos reservados para as perguntas do público sozinho, depois consome outros 20 da fala do palestrante seguinte.

Tem também a turma que gosta de promover o trabalho da instituição de que faz parte, e pega o microfone só para dizer: “Oi eu sou o Joãozinho, presidente da associação dos Joãozinho de Joanópolis do Sul. Eu gostaria de parabenizar o palestrante, o que ele falou é muito importante, lá em Joanópolis do Sul temos um trabalho muito parecido, patrocinado pela fábrica de camisas João em parceria com a prefeitura municipal de Joanópolis do Sul”.

Tem perguntas muito boas em eventos relacionados às pessoas com deficiência e com certeza absoluta, toda a plateia adora quando alguém faz aquela pergunta que está na ponta da língua de todos, mas pessoas como as descritas a cima tem que tomar um pouco de educação líquida para não atrapalhar os outros. Todo evento tem uma programação, segue horários e nunca se sabe se aquele discurso interminável vai fazer com que o palestrante perca um voo, o que vai causar uma serie de transtornos para ele, além de ser muito desagradável ver alguém palestrando na hora da fala dele.

Para um palestrante é ótimo ouvir perguntas da plateia, quem não gosta de tirar dúvidas, mas se não for uma pergunta ou uma contribuição sobre o assunto debatido e a fala só servir para tomar o tempo do evento, a participação dessa pessoa será improdutiva e sem sentido.