Você já foi discriminado?

Uma das perguntas mais comuns em rodas de amigos ou mesmo quando alguém timidamente acaba querendo saber um pouco mais sobre uma pessoa com deficiência é a seguinte: “Você já se sentiu discriminado ou já sofreu algum tipo de preconceito? “.

A discriminação, na verdade é uma coisa bastante complicada de se identificar e de se combater. Primeiro por que ela consegue se disfarçar de ajuda e compaixão da mesma forma como se revela em forma de preconceito e descaso.

O mais comum, no entanto, é tratar o preconceito e o descaso como discriminação, enquanto as ajudas e a compaixão como gentileza, bondade ou termos equivalentes.

Discriminar é diferenciar algo ou alguém dos seus iguais, seja esta diferenciação positiva ou negativa.

Esta situação fica clara quando um professor não pode ocupar seu cargo em um concurso público, apenas por quê um médico despreparado resolve que a pessoa é incapaz de lecionar baseado em uma ciência exata chamada de achologia, só que não fica assim tão clara quando uma simpática senhora tenta desviar uma pessoa cega da escada fixa, apenas por que ela está fazendo a gentileza de mostrar ao pobrezinho a escada rolante.

A discriminação que ocorre dentro do ser humano é tão nociva e prejudica tanto quanto a discriminação exacerbada, normalmente ofensiva que estamos acostumados a combater, até por que não tem jeito de combater uma pessoa que acha que está te ajudando e pensa que aquilo é uma coisa boa para você.

Mas uma coisa é você ajudar alguém porque tem consciência de que ela tem dificuldades oriundas de sua deficiência, e uma outra coisa completamente diferente é ajudar uma pessoa por que o “coitado” não consegue fazer nada.

É este sentimento de proteção que deve ser combatido, é necessário refletir sobre como conscientizar às pessoas e finalmente passar de coitados a cidadãos, é preciso demonstrar para todos que na verdade somos todos iguais, mesmo tendo algumas pequenas diferenças.

Aplicativo de transporte público Moovit agora é acessível

O aplicativo de transporte público Moovit ficou bastante acessível depois da última atualização.

A pouco tempo atrás, publiquei no blog esta postagem, que fala que os aplicativos de transporte público podem, mas ainda não ajudam às pessoas com deficiência visual e citei vários pontos em que eles estão falhando.

Na ocasião entramos em contato com as empresas que desenvolvem os aplicativos e ambas prometeram que pelo menos pensariam em como melhorar a experiência deste público com seus aplicativos.

A Moovit foi a primeira a tomar uma atitude real neste sentido e seu aplicativo já está acessível, contando com planejador de viagens, avisos quando o usuário está perto do ponto onde vai descer e uma infinidade de outras informações que facilitam e muito a vida do usuário de transporte público.

Por enquanto a acessibilidade total do APP funciona apenas em dispositivos IOS, mas a ideia da empresa é que em breve seja expandida também para os dispositivos com Android.

5º Seminário Locaweb PHPSP foi bastante acessível!

Quando uma pessoa com deficiência vai a um evento, ela normalmente espera passar por alguns transtornos. Isso porquê organizadores de eventos geralmente não esperam por alguém com alguma limitação e de certa forma, com o tempo a pessoa com deficiência se acostuma com os desconfortos ou para de frequentar eventos não segmentados.

Frequento feiras e seminários que não contemplam acessibilidade, por que é nelas que encontro vários dos conhecimentos e expertises de que preciso, além disso se eu for esperar eles tornarem-se acessíveis para poder frequentá-los, estarei fadado a não ir a nem um seminário pelo resto da vida.

Antes de ser uma pessoa com deficiência, eu sou uma pessoa que tem uma profissão, interesses e que quer progredir, adquirindo sempre mais conhecimento, independente das barreiras.

Tive o prazer de ir ao 5º Seminário Locaweb PHPSP, que foi realizado sábado dia 30 de janeiro, na Fundação Bienal, ali no parque do Ibirapuera em são Paulo.

Consciente das dificuldades que poderia encontrar, chamei meu amigo Edson para ir junto comigo, primeiro por que ele está aprendendo a programar em PHP e depois, por que ir em eventos sozinho é bastante chato.

Fiquei bastante surpreso com a apresentação de slides interativos que foram utilizados durante o evento, por que mesmo eu sendo totalmente cego, pude acessá-los como qualquer outra pessoa na plateia, já que estes slides foram desenvolvidos com HTML5 e estavam sendo controlados pelo palestrante, permitindo interações da plateia como em ocasiões em que a audiência devia responder sim ou não para alguma pergunta, ou quando a plateia gostaria de mudar de assunto em uma mesa redonda.

No evento até os sorteios de brindes puderam ser acompanhados pelo smartphone ou computador conectados à apresentação de slides, tudo de forma acessível para pessoas com deficiência visual, o que foi fantástico, visto que isto era totalmente inesperado até para quem construiu o app de apresentações.

 

Parabéns para a equipe do PHPSP e da Locaweb pelo seminário e obrigado pelo apoio.

 

Campanha sobre o dia da pessoa com deficiência causa polêmica


Essa semana o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Curitiba, resolveu comemorar o dia internacional da pessoa com deficiência de uma forma para lá de diferente.

Se passando por alguém bastante revoltado com os direitos das pessoas com deficiência, o falso movimento pregava a revogação de supostos privilégios atribuídos às pessoas com deficiência, reivindicando a redução de vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência física, além de acabar com a lei de cotas trabalhistas para empresas e órgãos públicos.

A falsa campanha chocou às pessoas, primeiro pela falta de bom-senso, e segundo pela falta de respeito pela pessoa humana, desrespeitando inclusive a nova Lei Brasileira de Inclusão, que entra em vigor no próximo dia primeiro de janeiro.

É claro que choveram críticas no Facebook, através da página criada pelo falso movimento e a história foi parar na mídia, chamando a atenção de ainda mais pessoas para o assunto.

A página chegou a receber mais de 5000 curtidas em menos de 24 horas e uma quantidade vertiginosa de manifestações contrárias por minuto.

No dia seguinte o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Curitiba desmentiu o Falso movimento e se explicou no programa da Fátima Bernardes, da TV Globo.

Se a campanha foi boa ou ruim, não vamos analisar aqui neste momento, são muitas opiniões diferentes, o tema é bastante polêmico e as opiniões são divergentes.

Entretanto, o que se pode perceber de negativo através do movimento é a intolerância com a qual algumas pessoas com deficiência e profissionais da ária trataram o tema, visto que após a revelação, passaram a discutir entre si sobre os malefícios causados pelo conselho e se este tinha agido certo ou errado em vez de aproveitar a publicidade para debater o tema.

Por outro lado, usar a discriminação como forma de publicidade é algo muito arriscado, por que pessoas desinformadas poderiam aproveitar este momento para deflagrar ações de intolerância reais contra às pessoas com deficiência. Embora não seja expressivo, na petição montada pelo falso movimento, houveram alguns signatários, o que acende uma luz de alerta e mostra que devemos conscientizar as pessoas.

Quem planta barreiras colhe prejuízos

A lei 8213/91 possibilitou que às pessoas com deficiência tenham acesso ao emprego, obrigando às empresas a contratar pessoas com deficiência e integrá-las ao mercado de trabalho formal.

Quando às pessoas com deficiência tiveram acesso ao emprego, antes mesmo de receber o primeiro salário, vieram os primeiros problemas. Os serviços não estavam preparados para recebê-los e as questões relacionadas com a deficiência ainda estavam sendo tratadas como uma questão de assistência social.

Esta postura não mudou muito durante estes 24 anos, grande parte das empresas não vê a pessoa que tem alguma limitação como um cliente ou funcionário com o mesmo potencial que qualquer outro, quando muito, ao atendê-lo, enxerga a possibilidade de se posicionar como uma empresa que se destaca por que investe em responsabilidade social, fazendo enorme propaganda destas ações “filantrópicas”, sem perceber este público de consumidores em potencial.

A “cegueira” corporativa na qual estão mergulhadas as empresas brasileiras é reflexo de séculos em que a pessoa com deficiência foi marginalizada, vivendo normalmente fora da sociedade, escondidas por suas famílias, invisíveis ao mundo pelos preconceitos e por falta de conhecimento sobre sua capacidade laboral e cognitiva.

Ainda hoje é bastante comum associar uma pessoa com deficiência a um pedinte, sem dar crédito às suas capacidades, antes discriminando-a pelo que ela “supostamente” não pode fazer, deixando-se levar por uma visão equivocada de que uma pessoa que tenha alguma limitação é imprópria para o trabalho, por isso deve ser assistido em algum programa social.

É possível que um comerciante que veja uma pessoa com cadeira de rodas passando em frente ao seu estabelecimento todos os dias sem nunca entrar, passe a acreditar que ele não se interessa por sua mercadoria sem perceber que na realidade ele não entra por que não há uma rampa de acesso e a calçada é muito alta.

Ninguém imagina que um cego que passa em frente a uma loja de calçados e nunca entra, simplesmente não sabe que ela existe, por isso prefere comprar em um lugar que conhece, com indicação de algum parente ou amigo.

Em qualquer dos casos, o empresário simplesmente acha que este público não se interessa por seu serviço quando na realidade é ele quem não se interessa por este público, já que não o respeita oferecendo-lhe meios para usufruir de seus produtos e serviços.

APPS de transporte público podem, mas ainda não ajudam pessoas com deficiência visual.

Esta semana testamos dois aplicativos que servem para auxiliar as pessoas à usar o transporte público com mais eficiência e segurança , evitando perca de tempo e permitindo que o usuário possa planejar seu itinerário antes de sair de casa.

Em cidades como São Paulo por exemplo, onde temos várias opções de transporte para chegar à um mesmo destino, estes APPS podem vir a ser grandes aliados para quem depende de transporte público e deseja chegar no horário.

Para quem tem algum tipo de deficiência visual, estes aplicativos tem muita utilidade em potencial, já que eles podem informar coisas muito valiosas, como por exemplo: Quando vai chegar o próximo ônibus, quanto tempo vamos demorar para chegar ao destino, quantas estações ou pontos falta para chegar na nossa próxima parada, avisar sob obstruções no nosso meio de transporte habitual, quais são as baldeações no nosso trajeto, quais as opções de transporte e muito mais!

O potencial é muito grande, mas neste momento isto é quase uma utopia para quem se aventurar no uso destes aplicativos.

A boa notícia é que o Blog Inclunet entrou em contato com os desenvolvedores do Moovit e do Trafi. As duas empresas já estão pensando em acessibilidade em seus aplicativos, sendo que a Trafi pediu sugestões de acessibilidade, perguntando o que eles podem melhorar e a Moovit falou que eles estão estudando formas de integração com o Talkback e Voiceover, mas que por enquanto estão em fase de estudo.

Nem uma das empresas deu previsão de melhoria do aplicativo até o momento da postagem, mas assim que algo mudar nestes aplicativos, faremos uma nova postagem avisando.

Quem falou que eu não consigo?

Algumas pessoas subestimam quem tem deficiência, achando que não somos capazes de fazer as mesmas coisas que elas.

Pessoas ao redor, colegas de trabalho, professores e familiares acreditam que por causa da deficiência não é possível realizar tarefas simples, o que dirá as mais complexas sem ao menos nos consultar, criando opiniões equivocadas que contribuem para o crescimento do pré-conceito.

Isso acontece diariamente com quem tem alguma deficiência, na maioria das vezes é difícil se defender, já que ninguém fala diretamente para a pessoa, simplesmente cria sua opinião e disfarça falando: “nossa vocês são um exemplo para nós” ou “nossa, não sei como você consegue andar sozinho”.

O pior é quando esse tipo de “conceito vem de um professor, em quem apoiamos nossos objetivos de aprendizagem e ele nos limita de aprender coisas novas, não nos desafia, nem nos consulta por causa da deficiência que parece ser um “oloforte” impedindo-o de ver a pessoa como um aluno, um aprendiz com capacidades iguais as de todos os outros.

Mesmo sem intenção a família ou o professor podem estar prejudicando a pessoa com deficiência, inpedindo-o de aprender e se desenvolver, por que tem medo de que eles se machuquem, errem, ou se frustrem.

No Transporte público de Santos, todos os acentos serão de uso preferencial!

Praticamente toda pessoa com deficiência que utiliza o transporte público já ouviu a seguinte frase: “Olha o seu lugar ali, vai lá que vão te dar um lugar”.
Os acentos reservados de uso preferencial são destinados às pessoas idosas, pessoas com crianças de colo, com deficiência ou mulheres grávidas e é um direito adquirido por lei, quando deveria ser um direito proveniente do bom-senso e da boa educação.
Em alguns lugares as pessoas acreditam que não devem ceder o acento quando não estão em um lugar reservado. Deixam que a pessoa idosa vá de pé em um ônibus lotado, ainda que ela esteja usando bengala ou andador.
Em santos, uma lei municipal publicada recentemente, diz que a partir do próximo dia 25 de novembro todos os acentos no transporte público serão reservados para uso preferencial.
É uma tentativa para diminuir o problema, fazendo por força de lei o que deveria ser feito pela força do hábito, corrigindo essa distorção e consequentemente diminuir as situações humilhantes que às pessoas com deficiência são obrigadas a passar todos os dias no transporte público.
Quando a pessoa com deficiência escuta a frase mencionada no início da postagem, fica a impressão de que ela não é um ser humano, por isso é indigna de se sentar próximo aos outros e precisa ficar em um lugar reservado, “preferencialmente” longe das demais pessoas.
Agora vamos esperar que o resto do Brasil siga o exemplo, quem sabe um dia tais leis não serão mais necessárias.

Com Informações do Via trólebus.

5 motivos para você não dizer que sou amigo de alguém

Pode parecer inofensivo e até coisa de gente chata, mas tem gente que deixa as pessoas com deficiência visual bem bravas quando dizem “Olha, tem um amigo seu ali”. Por isso preparamos uma lista com 5 motivos, que podem não ser muito bons, mas são o suficiente para você não bancar o padrinho de amizades em um local público!
1. Você não sabe se essas duas pessoas se conhecem, nem sabe se elas gostam uma da outra. Já pensou se essas pessoas têm alguma desavença e estão só esperando uma oportunidade para acertar as contas?
2. Não dê uma de cupido! Não aproxime duas pessoas só por que “eles ficam tão bonitinhos juntos”, a final eles já podem ter formado um casal e tudo que querem agora é distância um do outro.
3. Seja razoável, tem pessoas muito desagradáveis, das quais você gostaria de ficar distante, tenho certeza de que ninguém gostaria se alguém providenciasse um desagradável bate-papo com alguém extremamente chato ou mesmo bêbado para você.
4. Algumas pessoas aproveitam viagens entre a casa e o trabalho para refletir sobre algum problema ou para ler um bom livro, e não espera ou não quer fazer amigos neste momento, não banque o estraga prazeres frustrando a diversão ou a reflexão dela.
5. Existem pessoas que tem dificuldades para se relacionar e estas apresentações inesperadas podem deixar a pessoa sem jeito ou mesmo causar uma situação bastante desconfortável.
O sentido desta postagem é fazer com que você leitor, que enxerga e não gosta de se colocar em situações potencialmente desagradáveis, não acabe entrando em uma ou colocando, inadvertidamente alguém em uma situação, evitando com isto causar uma briga entre rivais ou ter que presenciar uma discussão entre duas pessoas que se separaram.

Facebook Pretende ajudar Pessoas Cegas a Entender Fotos Postadas na Rede Social

O Facebook é provavelmente a maior rede social do mundo hoje. As pessoas com deficiência visual também utilizam a rede, assim como todo mundo eles fazem uso dela por distração, para se comunicar ou como uma fonte de notícias, entretanto boa parte destas notícias são divulgadas em forma de imagem, incluindo fotos de parentes e amigos, charges, entre outras fotos que geralmente são enviadas sem qualquer descrição.

Se a pessoa quiser saber o que há na foto ela tem duas opções: Ler atentamente os comentários (caso haja algum) e com base neles deduzir o que há na imagem. Ou pode perguntar para a pessoa que publicou a foto o que é, mas com tantas fotos sendo publicadas todos os dias, esta tarefa se torna no mínimo inviável.

Recentemente, segundo uma matéria do Olhar Digital, o Facebook divulgou que está desenvolvendo uma tecnologia que deverá estar disponível até o final do ano, que pretende pelo menos dar uma noção do que está na foto, reconhecendo e destacando seus elementos principais.

Se o Facebook realmente alcançar este objetivo, pessoas com alguma deficiência visual não vão mais depender exclusivamente das descrições.

Com esta tecnologia associada ao reconhecimento facial que já existe no serviço, as pessoas cegas estão mais perto de “ver” aquelas fotos tiradas no final de semana!