Você já foi discriminado?

Uma das perguntas mais comuns em rodas de amigos ou mesmo quando alguém timidamente acaba querendo saber um pouco mais sobre uma pessoa com deficiência é a seguinte: “Você já se sentiu discriminado ou já sofreu algum tipo de preconceito? “.

A discriminação, na verdade é uma coisa bastante complicada de se identificar e de se combater. Primeiro por que ela consegue se disfarçar de ajuda e compaixão da mesma forma como se revela em forma de preconceito e descaso.

O mais comum, no entanto, é tratar o preconceito e o descaso como discriminação, enquanto as ajudas e a compaixão como gentileza, bondade ou termos equivalentes.

Discriminar é diferenciar algo ou alguém dos seus iguais, seja esta diferenciação positiva ou negativa.

Esta situação fica clara quando um professor não pode ocupar seu cargo em um concurso público, apenas por quê um médico despreparado resolve que a pessoa é incapaz de lecionar baseado em uma ciência exata chamada de achologia, só que não fica assim tão clara quando uma simpática senhora tenta desviar uma pessoa cega da escada fixa, apenas por que ela está fazendo a gentileza de mostrar ao pobrezinho a escada rolante.

A discriminação que ocorre dentro do ser humano é tão nociva e prejudica tanto quanto a discriminação exacerbada, normalmente ofensiva que estamos acostumados a combater, até por que não tem jeito de combater uma pessoa que acha que está te ajudando e pensa que aquilo é uma coisa boa para você.

Mas uma coisa é você ajudar alguém porque tem consciência de que ela tem dificuldades oriundas de sua deficiência, e uma outra coisa completamente diferente é ajudar uma pessoa por que o “coitado” não consegue fazer nada.

É este sentimento de proteção que deve ser combatido, é necessário refletir sobre como conscientizar às pessoas e finalmente passar de coitados a cidadãos, é preciso demonstrar para todos que na verdade somos todos iguais, mesmo tendo algumas pequenas diferenças.

Autor: Leonardo Gleison Ferreira

Leonardo Gleison Ferreira é Técnico em tecnologia assistiva da Laramara, Graduado em análise e desenvolvimento de sistemas, pós graduando em marketing, atualmente ministra aulas de educação tecnológica para jovens com deficiência visual e faz parte do grupo de especialistas em acessibilidade do CEWEB/W3C.br.

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