Além de tudo, sou mulher!

Nós Mulheres com deficiência somos vistas como “coitadinhas” ou “ceguinha”, “surdinha”, “alejadinha”, etc. Nos atribuem esses adjetivos no diminutivo e esquecem-se que também somos mulheres.

Quando você anda bem arrumada, toda maquiada, bem vestida e toda combinando, as pessoas te olham com espanto, com um olhar de confusão. Tem pessoas que falam “ai que bom que sua mãe te arruma”, .

Esta semana vivi um exemplo bem claro desse preconceito enrustido, estava em uma loja de roupas com minha sogra, eu passando a mão nos vestidos e minha sogra vendo as roupas para ela , achei um macacão e gostei, coloquei em frente ao corpo para ver se ficava bom e a vendedora perguntou “nossa você enxerga?” eu falei que não, ela ficou surpresa e custou à acreditar. Então perguntei quais eram as cores, as estampas, tamanhos, escolhi aquelas que eu queria e fiquei imaginando o que se passa na cabeça de alguém depois de uma descoberta tão chocante.

Tenho minhas limitações, é claro, mas acima de tudo sou mulher e tenho meus próprios gostos, uso coisas que me fazem sentir bem. Como toda mulher, gosto de pedir opinião do marido, das amigas e por que não da mãe? Só que a minha opinião é a mais importante, a minha deficiência não me impede de andar bem arrumada!

Autor: Camila Domingues Ferreira

Camila Domingues Ferreira é pedagoga, Pós graduanda em educação especial, atualmente ministra aulas particulares para pessoas com deficiência visual e múltipla deficiência, é Consultora independente sobre acessibilidade em tecnologias móveis para a educação, tendo participado como jurada nas últimas edições do prêmio nacional de acessibilidade na web promovido pelo CEWEB/W3C.br.

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