E esse tal Leitor de BIOS?

É possível que exista um dispositivo USB capaz de ler a BIOS do computador?

Esta Pergunta está me assombrando à várias semanas, depois que essa postagem apareceu no facebook e começou a ser distribuída em listas de discussões de todos os gêneros ligados às pessoas com deficiência visual.

Em primeiro lugar é importante saber o que é BIOS?

Resumindo em poucas palavras: É um pequeno programa responsável por ligar o computador, sem ele você não poderia ler esta postagem, por que seu computador não estaria ligado.

O que seria um leitor de BIOS e por quê ele é tão interessante, a ponto de tantas pessoas com deficiência visual tentarem comprar um?

Na teoria, o dispositivo seria capaz de ler as configurações iniciais da BIOS, coisa que os softwares leitores de tela não podem fazer, uma vez que eles são instalados no sistema operacional e só conseguem transformar em voz aquilo que se encontra dentro do sistema operacional do computador.

Se um dispositivo deste tipo fosse possível, assumindo que de alguma forma mágica ele consiga ler este pequeno sistema de inicialização do computador, é possível que ele pudesse ler informações de uma TV, o que faria com que ele fosse um santo graal para todos os cegos do Brasil.

Um técnico de informática cego poderia alterar a ordem em que os discos são inicializados e formatar computadores sem auxílio de outra pessoa.

Seriam várias possibilidades e consequentemente, várias pessoas já pagaram por este dispositivo, que na nossa modesta opinião simplesmente não existe!

Um site relacionado a comunidade de pessoas com deficiência visual, publicou essa semana uma nota de repúdio ao autor desta suposta fraude, enquanto nós aqui do blog tentamos entrar em contato com ele, que apenas responde enviando um áudio com a demonstração do suposto dispositivo, informando também a conta para depósito da quantia cobrada por ele, R$ 50,00.

Foram divulgados dois áudios, em que o suposto desenvolvedor afirma categoricamente que não tem culpa do atraso, dizendo que a culpa é dos correios e que eles vão reenviar as encomendas gratuitamente, assim que forem devolvidas para ele. “Não tenho como passar o dia no correio”, diz ele.

No segundo áudio, ele afirma que vai devolver o valor das pessoas que solicitarem por e-mail, mas diz que não tem como lembrar de todas as centenas de pessoas que pediram o aparelho, lembrando também que o projeto de 3 anos vai morrer por que as pessoas o estão chamando de estelionatário.

O blog Inclunet vai continuar acompanhando este caso polêmico, que mais parece uma tentativa de estelionato coletivo de pessoas cegas.

Você já foi discriminado?

Uma das perguntas mais comuns em rodas de amigos ou mesmo quando alguém timidamente acaba querendo saber um pouco mais sobre uma pessoa com deficiência é a seguinte: “Você já se sentiu discriminado ou já sofreu algum tipo de preconceito? “.

A discriminação, na verdade é uma coisa bastante complicada de se identificar e de se combater. Primeiro por que ela consegue se disfarçar de ajuda e compaixão da mesma forma como se revela em forma de preconceito e descaso.

O mais comum, no entanto, é tratar o preconceito e o descaso como discriminação, enquanto as ajudas e a compaixão como gentileza, bondade ou termos equivalentes.

Discriminar é diferenciar algo ou alguém dos seus iguais, seja esta diferenciação positiva ou negativa.

Esta situação fica clara quando um professor não pode ocupar seu cargo em um concurso público, apenas por quê um médico despreparado resolve que a pessoa é incapaz de lecionar baseado em uma ciência exata chamada de achologia, só que não fica assim tão clara quando uma simpática senhora tenta desviar uma pessoa cega da escada fixa, apenas por que ela está fazendo a gentileza de mostrar ao pobrezinho a escada rolante.

A discriminação que ocorre dentro do ser humano é tão nociva e prejudica tanto quanto a discriminação exacerbada, normalmente ofensiva que estamos acostumados a combater, até por que não tem jeito de combater uma pessoa que acha que está te ajudando e pensa que aquilo é uma coisa boa para você.

Mas uma coisa é você ajudar alguém porque tem consciência de que ela tem dificuldades oriundas de sua deficiência, e uma outra coisa completamente diferente é ajudar uma pessoa por que o “coitado” não consegue fazer nada.

É este sentimento de proteção que deve ser combatido, é necessário refletir sobre como conscientizar às pessoas e finalmente passar de coitados a cidadãos, é preciso demonstrar para todos que na verdade somos todos iguais, mesmo tendo algumas pequenas diferenças.

Aplicativo de transporte público Moovit agora é acessível

O aplicativo de transporte público Moovit ficou bastante acessível depois da última atualização.

A pouco tempo atrás, publiquei no blog esta postagem, que fala que os aplicativos de transporte público podem, mas ainda não ajudam às pessoas com deficiência visual e citei vários pontos em que eles estão falhando.

Na ocasião entramos em contato com as empresas que desenvolvem os aplicativos e ambas prometeram que pelo menos pensariam em como melhorar a experiência deste público com seus aplicativos.

A Moovit foi a primeira a tomar uma atitude real neste sentido e seu aplicativo já está acessível, contando com planejador de viagens, avisos quando o usuário está perto do ponto onde vai descer e uma infinidade de outras informações que facilitam e muito a vida do usuário de transporte público.

Por enquanto a acessibilidade total do APP funciona apenas em dispositivos IOS, mas a ideia da empresa é que em breve seja expandida também para os dispositivos com Android.

5º Seminário Locaweb PHPSP foi bastante acessível!

Quando uma pessoa com deficiência vai a um evento, ela normalmente espera passar por alguns transtornos. Isso porquê organizadores de eventos geralmente não esperam por alguém com alguma limitação e de certa forma, com o tempo a pessoa com deficiência se acostuma com os desconfortos ou para de frequentar eventos não segmentados.

Frequento feiras e seminários que não contemplam acessibilidade, por que é nelas que encontro vários dos conhecimentos e expertises de que preciso, além disso se eu for esperar eles tornarem-se acessíveis para poder frequentá-los, estarei fadado a não ir a nem um seminário pelo resto da vida.

Antes de ser uma pessoa com deficiência, eu sou uma pessoa que tem uma profissão, interesses e que quer progredir, adquirindo sempre mais conhecimento, independente das barreiras.

Tive o prazer de ir ao 5º Seminário Locaweb PHPSP, que foi realizado sábado dia 30 de janeiro, na Fundação Bienal, ali no parque do Ibirapuera em são Paulo.

Consciente das dificuldades que poderia encontrar, chamei meu amigo Edson para ir junto comigo, primeiro por que ele está aprendendo a programar em PHP e depois, por que ir em eventos sozinho é bastante chato.

Fiquei bastante surpreso com a apresentação de slides interativos que foram utilizados durante o evento, por que mesmo eu sendo totalmente cego, pude acessá-los como qualquer outra pessoa na plateia, já que estes slides foram desenvolvidos com HTML5 e estavam sendo controlados pelo palestrante, permitindo interações da plateia como em ocasiões em que a audiência devia responder sim ou não para alguma pergunta, ou quando a plateia gostaria de mudar de assunto em uma mesa redonda.

No evento até os sorteios de brindes puderam ser acompanhados pelo smartphone ou computador conectados à apresentação de slides, tudo de forma acessível para pessoas com deficiência visual, o que foi fantástico, visto que isto era totalmente inesperado até para quem construiu o app de apresentações.

 

Parabéns para a equipe do PHPSP e da Locaweb pelo seminário e obrigado pelo apoio.