Metrô de São Paulo ouviu sugestões de pessoas com deficiência visual na Laramara.

Funcionários do setor de ações de relacionamento inclusivas do metrô de são Paulo, se reuniram esta semana com usuários do sistema no auditório da Laramara.

A principal proposta do evento, foi de esclarecer os boatos de que o metrô estaria preparando uma extinção do serviço de jovens-cidadãos nas estações da companhia.

Para quem não conhece ou não mora em São Paulo, eles são jovens em idade escolar que prestam serviços em todas as estações do metrô, executando diversas atividades, entre elas, a condução, embarque e desembarque de pessoas com deficiência no metrô de São Paulo.

A reunião, que começou por volta de 10 da manhã da última quinta-feira, foi aberta ao público e contou com a presença de aproximadamente 90 pessoas com deficiência visual, entre usuários da Laramara, ADEVA e de várias pessoas que souberam do evento através das redes sociais.

Em fala na abertura do evento, o professor de orientação e mobilidade João de Moraes Felipe, destacou a importância da reclamação como exercício de cidadania, e lembrou que as pessoas com deficiência visual devem se manifestar com os serviços de atendimento das empresas para que suas dificuldades sejam conhecidas e seus direitos respeitados.

Os funcionários do metrô responderam várias dúvidas dos usuários e se comprometeram a voltar em aproximadamente um mês para continuar ouvindo as sugestões e as demandas.

O Blog Inclunet vai continuar postando informações sobre esta reunião durante as próximas semanas, assim como o que for melhorado ou resolvido em decorrência dela.

Se você tem algum problema, dificuldade ou dúvida, use o canal de comunicação disponibilizado pelo metrô para registrar ela. O telefone da central de atendimento do metrô é: 0800-770-7722 e funciona diariamente das 5h 30m às 23h 30m.

Para denúncias use o SMS: (11) 97333-2252

5º Seminário Locaweb PHPSP foi bastante acessível!

Quando uma pessoa com deficiência vai a um evento, ela normalmente espera passar por alguns transtornos. Isso porquê organizadores de eventos geralmente não esperam por alguém com alguma limitação e de certa forma, com o tempo a pessoa com deficiência se acostuma com os desconfortos ou para de frequentar eventos não segmentados.

Frequento feiras e seminários que não contemplam acessibilidade, por que é nelas que encontro vários dos conhecimentos e expertises de que preciso, além disso se eu for esperar eles tornarem-se acessíveis para poder frequentá-los, estarei fadado a não ir a nem um seminário pelo resto da vida.

Antes de ser uma pessoa com deficiência, eu sou uma pessoa que tem uma profissão, interesses e que quer progredir, adquirindo sempre mais conhecimento, independente das barreiras.

Tive o prazer de ir ao 5º Seminário Locaweb PHPSP, que foi realizado sábado dia 30 de janeiro, na Fundação Bienal, ali no parque do Ibirapuera em são Paulo.

Consciente das dificuldades que poderia encontrar, chamei meu amigo Edson para ir junto comigo, primeiro por que ele está aprendendo a programar em PHP e depois, por que ir em eventos sozinho é bastante chato.

Fiquei bastante surpreso com a apresentação de slides interativos que foram utilizados durante o evento, por que mesmo eu sendo totalmente cego, pude acessá-los como qualquer outra pessoa na plateia, já que estes slides foram desenvolvidos com HTML5 e estavam sendo controlados pelo palestrante, permitindo interações da plateia como em ocasiões em que a audiência devia responder sim ou não para alguma pergunta, ou quando a plateia gostaria de mudar de assunto em uma mesa redonda.

No evento até os sorteios de brindes puderam ser acompanhados pelo smartphone ou computador conectados à apresentação de slides, tudo de forma acessível para pessoas com deficiência visual, o que foi fantástico, visto que isto era totalmente inesperado até para quem construiu o app de apresentações.

 

Parabéns para a equipe do PHPSP e da Locaweb pelo seminário e obrigado pelo apoio.

 

Colando Grau ou pagando mico?

Gostaria de dizer que aqui eu vou descer o sarrafo, para quem quiser saber sobre a emoção, o quanto me sinto feliz e toda a parte emocional visite meu Facebook, lá você vai ver tudo isso, e sim foi o máximo!

Eventos sociais são no mínimo problemáticos para nós, pessoas cegas.

Não, eu não estou dizendo que uma pessoa cega seja antissocial e que não deve comparecer em eventos deste tipo, mas em situações meio ritualísticas como casamento, cerimônias religiosas, formaturas e eventos em que se espera certos comportamentos “Padronizados”, que exigem imitação, fazemos parte de um grupo de pessoas que invariavelmente paga grandes micos.

A bola da vez foi o mico que paguei esta semana entrando na minha colação de grau usando capelo (um chapel quadrado com uma cordinha do lado esquerdo que os formandos normalmente usam), por que ninguém me informou que só se usa capelo quando ocorre a outorga de grau, ou seja, quando você está oficialmente formado.

Tá. Isso não foi aquele mico, mas eu já estive em lugares onde era necessário se sentar depois que era dado um sinal. Claro, eu fui o único a ficar de pé e isso senhores e senhoras, não é agradável.

Não dá para entender por qual motivo as pessoas não são um pouco mais descritivas. Já que Audiodescrição pode não ser viável, informar as pessoas com deficiência antes da cerimônia sobre as etapas e combinar os procedimentos corretos para que ela não se sinta perdida é bem barato sabe?

Para você amigo leitor, isto pode não ser algo importante, mas a autoestima do ser humano é um fator frequentemente deixado de lado em situações como esta.

Os seres humanos são criaturas que vivem em busca de se enquadrar em algum grupo, vivem buscando fazer parte de algo e normalmente se frustram quando isto não acontece.

As pessoas que não tem deficiência agem por imitação e quando uma pessoa faz algo as outras à acompanham.

A pessoa cega não tem esta prerrogativa e não consegue imitar as outras pessoas visualmente, então é importantíssimo que as coisas sejam previamente combinadas e explicadas para que não continuemos fazendo papel de bobos em locais e eventos públicos.

No caso a cima, se não fosse meu sogro me avisar eu ficaria todo bonitão de capelo até que o mestre de cerimônia falasse “Agora os formandos podem colocar os capelos, que simboliza a outorga de grau e diz que agora vocês são profissionais Bacharéis, licenciados e tecnólogos”.

WEB.BR 2015

A poucos dias tive o prazer de falar sobre acessibilidade em uma palestra realizada na conferência WEB.BR, promovida anualmente pelo escritório brasileiro da W3C.

Para quem ainda não sabe o que é a W3C, Explicando de forma simplificada: É um organismo internacional que cria padrões para tecnologias de internet em conjunto com pessoas e empresas de todos os países, onde todos podem contribuir com opiniões e no final se define um padrão, que será recomendado para uso mundial. Mau-explicando é como se fosse uma ABNT para a internet.

Este ano o evento convidou os participantes a pensar em como podemos re-descentralizar a web, falando a respeito de vários temas que são importantes para o futuro e o desenvolvimento da mais importante ferramenta de comunicação deste século.

Assuntos como pagamentos via internet, proteção de dados, padrões para tecnologias web e acessibilidade na web, foram abordados por um fantástico time de palestrantes que fizeram do evento um espetáculo de difusão de conhecimento.

Este ano foram 4 palestras, incluindo a minha em que se falou sobre acessibilidade durante o evento, mas surpreendente mesmo foi ver que vários outros palestrantes já incluem acessibilidade em suas falas, demonstrando que estão próximos os dias em que a internet será verdadeiramente para todos.

Seminário Sistema Braille: Mãos à Obra!

Ontem participei do Seminário Internacional do Braille, promovido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) em conjunto com a União Latino Americana de Cegos (ULAC).

Durante o evento, diversas palestras discutiram a importância do Braille na educação e na sociedade.

A importância do Braille para a educação foi bastante destacada, visto que atualmente novas tecnologias aparentemente tem tomado parte do seu espaço.

Na fase de alfabetização o sistema Braille é indispensável, com ele a criança tem acesso às letras, aprendendo a ortografia e compreendendo aquilo que está lendo.

Um fato que chamou bastante a atenção de forma negativa é que algumas pessoas foram desrespeitosas, tanto com o público, quanto com os palestrantes. Algumas pessoas não paravam de conversar, mexiam no celular sem fones de ouvido, atendiam ligações sem a menor discrição e alguns riam quando o palestrante era estrangeiro.

A maioria dos participantes era de educadores e parte deles tinha deficiência visual. Não dá para entender como pessoas lutam tanto por respeito sem respeitar as outras pessoas.